segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O “desenvolvimentismo” insustentável de Marina Silva

Política

Marina Silva
A polaridade conservadora é conhecida: Banco Central independente e “tripé” macroeconômico puro-sangue. A pretensa polaridade ‘desenvolvimentista’ aparece, por exemplo, no objetivo de “criar o ambiente necessário a um novo ciclo de desenvolvimento”, no qual “nenhum programa de governo faria sentido se não estiver ancorado no ‘bem-estar da população’”

Correio do Brasil
Por Eduardo Fagnani 
A esquizofrenia do programa de Governo de Marina Silva é patente. Nele, procura-se conciliar objetivos radicalmente antagônicos. Um daqueles objetivos seria combinar um suposto “desenvolvimentismo” com o incontestável ultraconservadorismo macroeconômico. O papel aceita tudo, mas os projetos são ideologicamente conflitantes, e a conta não fecha.
A polaridade conservadora é conhecida: Banco Central independente e “tripé” macroeconômico puro-sangue. A pretensa polaridade ‘desenvolvimentista’ aparece, por exemplo, no objetivo de “criar o ambiente necessário a um novo ciclo de desenvolvimento”, no qual “nenhum programa de governo faria sentido se não estiver ancorado no ‘bem-estar da população’”. Dessa forma, “as políticas sociais são o motor de uma visão de justiça e redução das desigualdades, pela garantia de acesso universal e digno a bens e serviços públicos relevantes, direito inalienável de cada cidadão”.
A entrevista concedida por Marina Silva ao jornal Valor Econômico (11 de setembro) revisita esse poço de contradições. A candidata desautoriza seu principal assessor econômico, e afirma que fará concomitantemente aumento do gasto social e ajuste fiscal. “Com certeza o que Giannetti estava dizendo é que essas coisas acontecerão juntas”. O assessor pelo menos foi honesto: avisou que priorizaria o ajuste macroeconômico.

Conta negativa
Essa decisão decorre de uma “conta que precisa ser feita antes”, não considerada pelos seus adversários do PT e do PSDB: “é a conta negativa de não fazer as escolhas de investir na saúde, educação, segurança, transporte digno, qualidade de vida e serviços que os brasileiros estão cobrando (…). Como é que alguém reivindica governar para deixar tudo como está? Nós estamos fazendo uma escolha”.
No caso da educação, compromete-se com a aplicação de 10% de recursos e com a antecipação da meta de universalizar a educação de tempo integral. Também se compromete com as mudanças na regra do “fator previdenciário”: “não vamos nos conformar com a ideia de que os aposentados deverão ser punidos”.
O espaço fiscal para cumprir os ambiciosos objetivos sociais previstos no programa de governo (estimados em mais de R$ 140 bilhões) viria do “combate à corrupção”, da melhoria na “eficiência do gasto público” e (pasmem!) da redução da taxa de juros: “a redução de um ponto percentual nos juros, na taxa Selic, significa cerca de R$ 25 bilhões. Este dinheiro circulando na economia alimenta o processo que nos ajuda a ir criando o espaço fiscal para os investimentos” (sic).
A ampliação do espaço fiscal também seria fruto de “políticas macroeconômicas que façam com que o Brasil possa crescer”. O crescimento proporcionaria a “ampliação do orçamento (necessária) para que possamos fazer os investimentos”. Além disso, o crescimento reativará a competitividade da indústria nacional, hoje “reduzida a pó”. Como crescer? Para Marina é muito simples: basta a “credibilidade” da “nova” política econômica.

Pedra dobre pedra
Segundo a candidata, o baixo crescimento atual deriva do descrédito do governo que “não fez a lição de casa”: “Quando as demais economias do mundo começam a se recuperar do tsunami com que foram assoladas (…) o Brasil vive o tsunami de não ter feito o dever de casa”.
Observe-se que sua visão contradiz as conclusões do recém-divulgado relatório “Governança Global e Policy Space para o Desenvolvimento” (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – Unctad), segundo as quais a recuperação da economia global continua fraca, seis anos após o início da crise internacional de 2008. Para 2014, a UNCTAD prevê que o crescimento dos países desenvolvidos e dos países da América Latina deve ser em torno de 1,8% e 2%, respectivamente.
Não sobra pedra sobre pedra desse pretenso viés “desenvolvimentista”, quando a entrevista passa a tratar da ultra ortodoxa gestão do “tripé macroeconômico” (meta de inflação, superávit primário e câmbio flutuante), a cargo dos “homens de bem” que estarão à frente do Banco Central Independente (austeridade monetária) e do Conselho de Responsabilidade Fiscal (austeridade fiscal).
Segundo a candidata, a autonomia do Banco Central (BC) serve “para recuperar credibilidade, para que o país volte a ter investimentos, volte a crescer”. No seu governo, o BC estaria “a serviço da sociedade para ajudar a controlar a inflação, preservar o emprego e investimentos”. O Estado não deve “governar apenas para os fortes” e sim “com justiça para todos” – é Marina Silva, taxativa.
Essa visão bipolar parece um caso típico de “autoengano” que já foi tema até de livro, que aborda as “mentiras que contamos a nós mesmos”. Segundo o autor, “mentimos para nós o tempo todo” e “só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças”. Para superar esse estado de alma, é preciso analisar os caminhos que nos levam até ele. Seguindo a risca as recomendações do autor, vamos aos fatos.
Em entrevista concedida em meados de 2014, Eduardo Campos, então candidato a presidência pelo PSB anunciou seus planos de reduzir a meta de inflação para 4% (em 2016) e 3,5% (2018). Para cumprir esse propósito seria dada autonomia legal ao BC.
Após a morte de Campos, Marina Silva falou do “peso da responsabilidade” e demonstrou vontade de levar adiante o projeto construído por ele. Claro, elementar, que manter a inflação num patamar inferior ao atual (única missão do BC independente) requer juros básicos nas alturas (único instrumento de política monetária do BC independente). O poder econômico agradece pelos lucros especulativos com títulos do Tesouro Nacional.

Autoengano
Juros básicos altos (já chegaram a 44% nos anos de 1990) trarão recessão, desemprego, e redução das receitas governamentais. Com câmbio flutuante, o Real será valorizado e comprometerá a competitividade da indústria. A elevação dos juros ampliará novamente a dívida pública liquida como proporção do PIB (caiu de 60% para 33%, entre 2002 e 2014). A meta de superávit primário terá forçosamente de ser ampliada, para pagar parcela dos encargos financeiros, restringindo as possibilidades do gasto social. Serão necessárias novas reformas liberalizantes para suprimir direitos sociais universais (previdência, saúde, educação, mobilidade etc.).
Mas os meandros do “autoengano” levam à absurda suposição de que superávit primário seria obtido, pasmem, pela redução dos juros (“fazendo uma política de redução de juros, cria-se um processo virtuoso na economia”). O ajuste fiscal também seria possível pela adoção de outras “políticas combinadas” com o objetivo de ampliar a “eficiência do gasto público”, combater o “inchamento da máquina pública”, estimular “um novo modelo de gestão” e “reduzir ministérios” com base em “critérios altamente rigorosos, sem prejuízo dos serviços e daquilo que a sociedade espera do Estado”. Para esclarecer os eleitores, seria oportuno que a candidata apresentasse estimativa da economia que adviria dessas medidas (em proporção do PIB).
A autonomia legal do BC fortalecerá o poder econômico em detrimento da política, da democracia e dos esforços para um projeto de desenvolvimento com justiça social. Como afirmou André Singer, trata-se de uma ação deliberada do poder econômico “de subtrair a soberania popular do centro da política que é a política econômica”. Em outras palavras, a democracia deixa de ter ação sobre o núcleo da política econômica.
Sequer nos EUA, meca do liberalismo econômico, o Federal Reserve Bank tem como única missão manter a inflação dentro da meta. Um dos seus propósitos é atuar para influenciar “as condições monetárias e de crédito na economia em busca do emprego máximo, preços estáveis e taxas de juros de longo-termo moderadas”. Um olho no gato, outro no peixe. Marina faz diferente: quer dar autonomia legal ao gato.
Não há nada mais velho e ultrapassado que a “nova” economia defendida pela candidata. Baseia-se no enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e que está sendo aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos (na opinião de Paul Krugman, crítico insuspeito).

Reforma Tributária
Mas o ímpeto “social-desenvolvimentista” tem inúmeros outros capítulos. Um deles é a Reforma Tributária. A candidata promete mandar, “no primeiro mês do governo, uma proposta de reforma tributária para o Congresso com base no princípio da justiça tributária, transparência e simplificação”.
Mas ninguém explica como sairá da “sinuca de bico” quanto à governabilidade, na qual está enredada. Foi o que lhe perguntou a jornalista que a entrevistava: “se não fizer alianças tradicionais, ficará na minoria e corre o risco de crises constantes; se formar maioria, não abandona a promessa de nova política e decepcionará eleitores?”.
Para Marina, a saída é simples. Basta deixar o “terreno da opção” e adentrar no “terreno da escolha”. Na opção, “pega-se o que já existe e o que é mais vantajoso para você”. No caminho “da escolha”, “escolhe-se o que ainda não existe e você trabalha para construir”. Assim, a governabilidade requer apenas esforços para “renovar os procedimentos na política e contribuir para renovar a política”. Nesse sentido, pretende “instituir um governo com base em um programa e não em um cheque em branco, que depois buscará governabilidade com base na distribuição de pedaços do Estado”.
E a candidata Marina Silva arremata a entrevista com uma confissão: “Eu sou uma mulher de fé, e a Bíblia é um livro que marca profundamente a minha história. Sou movida a fé e a determinação”. Que Deus nos abençoe!
Eduardo Fagnani, é economista, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas, professor do IE-Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (Cesit).
Fonte - Correio do Brasil  15/09/2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Direita tenta usar 'instrumento' para retornar ao poder, diz Boaventura

Política

Sociólogo diz que autonomia brasileira incomoda os EUA. 'Tive o cuidado de ver o programa da Marina e uma das coisas que diz é, no fundo, voltar ao alinhamento do Brasil com os Estados Unidos'

Eduardo Maretti, da RBA 
NECO VARELLA/EFE
São Paulo – A candidata do PSB à presidência da República em 2014, Marina Silva, é um “instrumento” da direita brasileira, que entendeu ser muito difícil voltar ao poder diretamente por meio de uma disputa ideológica entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. A opinião é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. “A direita descobriu, muito rapidamente, que Aécio Neves não é de forma nenhuma uma alternativa, porque faria uma disputa ideológica entre esquerda e direita.”
Para ele, as forças que “sempre” governaram o Brasil “viram que era mais fácil chegar ao poder sem fazer essa disputa ideológica, utilizando uma terceira pessoa, que combina em sua ambiguidade alguns elementos de esquerda, não pelo que diz hoje, mas pelo que foi."
Boaventura é professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde também dirige o Centro de Estudos Sociais, e da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison. Ele afirma que as propostas neoliberais e de política externa da candidata que herdou a cabeça de chapa do PSB com a morte de Eduardo Campos estão claras em falas e no programa de governo. “Para nós, que viemos da Europa, basta quando vem aquela frase mágica da independência do Banco Central... É a grande marca do modelo neoliberal”, analisa.
Segundo o sociólogo, o programa de política externa de Marina é um retorno ao tradicional alinhamento do Brasil com os Estados Unidos, ou, “fundamentalmente”, voltar ao tempo de Fernando Henrique Cardoso. A lógica da autonomia do governo brasileiro em relação aos Estados Unidos, iniciada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os Brics e a criação do banco de desenvolvimento do bloco econômico que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul incomodam os norte-americanos, que tentam, com a Aliança do Pacífico, "neutralizar os Brics."
Boaventura vê as dificuldades políticas e eleitorais dos governos petistas como "frutos de seu êxito". O professor observa, por exemplo, que a juventude constatou que, com a Copa, havia muito dinheiro para algumas coisas e não para outras, o que teria "dramatizado" o erro na distribuição do dinheiro público e desconectado essa parcela da sociedade do sistema político. "De uma vez só, aumentaram 5 mil postos de trabalho para professores nas universidades federais, o que é absolutamente notável, mas isso não foi acompanhado de um investimento na infraestrutura, nos salários dos professores e nos equipamentos das universidades", constata. "Portanto, acho que o governo está a ser vítima de seu êxito, não do fracasso. Só que teve tanto êxito, que criou tanta expectativa, que agora é um pouco difícil não frustrar a expectativa. E a expectativa frustrada é o que traz as pessoas para a rua.
" Leia a entrevista concedida à RBA.
"O presidente Lula alterou as condições de hegemonia no Brasil de tal modo que a direita brasileira, que sempre governou o país, não pode voltar ao poder diretamente. Tem que usar um desvio, e o desvio necessário é buscar alguém que tem um perfil de esquerda para depois instrumentalizá-la. Marina é este instrumento"

Como vê a conjuntura político-eleitoral no Brasil?
Os processos eleitorais, muitas vezes, podem ser orientados por acontecimentos às vezes completamente surpreendentes, como aconteceu com o trágico acidente do Eduardo Campos. E a direita descobriu, muito rapidamente, que Aécio Neves não é, de forma nenhuma, alternativa, porque faria uma disputa ideológica entre esquerda e direita. Eles viram que era mais fácil chegar ao poder sem fazer essa disputa ideológica, utilizando uma terceira pessoa, que combina, em sua ambiguidade, alguns elementos de esquerda, não pelo que diz hoje, mas pelo que foi, pela sua origem.
Penso que essa fulguração de Marina atingiu seu máximo. As pessoas começam a ver os riscos por trás de uma política nova que, afinal, é bastante velha; a ver a fragilidade da Marina com as oscilações perante aqueles que controlam sua campanha e que lhe dão apoio. Começam a ver que o que foi feito neste país foi um êxito extraordinário – não foi completado, tem erros a superar. Continua a haver uma esperança de que, no segundo mandato, a presidente Dilma vá fazer o que se espera de um governo do PT. Ao passo que da Marina Silva, francamente, não há nada a esperar. É só saber ler seu programa. As perspectivas são as políticas neoliberais. Eles (o sistema financeiro) têm e tiveram muitos lucros, mas não os lucros extraordinários que Marina lhes permite, e é por isso que se põem ao lado de Marina.

O senhor escreveu que, com a eleição da Dilma, o Brasil “quis acelerar o passo para se tornar uma potência global”. Esse caminho e o que se conquistou em 12 anos são ameaçados por uma eventual eleição de Marina ou Aécio Neves?
A eleição da Marina Silva é uma ameaça em muitos outros níveis. Penso que o que mudou substancialmente no Brasil, nos últimos 12 anos, e isso é um trabalho notável do presidente Lula, é que ele alterou as condições de hegemonia no Brasil de tal modo que a direita brasileira, que sempre governou este país, não pode voltar ao poder diretamente. Tem que usar um desvio e o desvio necessário é buscar alguém que tem um perfil de esquerda para depois instrumentalizá-la. Marina Silva é, neste momento, esse instrumento. É, portanto, um desvio a que a direita é forçada para conquistar o poder. E a Marina Silva tem dito muito claramente que é isso que vai acontecer.
Para nós, que viemos da Europa, e sabemos muito bem, basta quando vem aquela frase mágica da independência do Banco Central. É a grande marca do modelo neoliberal. Tive o cuidado de ver o programa da Marina Silva e, obviamente, uma das coisas que diz o programa de política externa é, no fundo, voltar ao tradicional alinhamento do Brasil com os Estados Unidos. Relações bilaterais. Fundamentalmente, voltar ao tempo do Fernando Henrique Cardoso.

O fato de o Brasil estar aprofundando as relações com os Brics está incomodando os Estados Unidos a que ponto? Poderia haver interferência norte-americana no processo eleitoral do Brasil, por exemplo?
Não tenho dúvidas. Estou convencido de que, neste momento, os Estados Unidos, confrontados com seu declínio, procuram de várias formas tentar segurá-lo o mais possível. Por um lado, através do tratado de livre comércio que estão a tentar com a Europa e, por outro, voltar à América Latina, não pelas maneiras antigas, que eram as ditaduras e as intervenções militares. Hoje, são outros tipos de intervenções. É um apoio técnico para os acontecimentos extremos, a gestão de protestos sociais graves, distúrbios, perturbações na sociedade, ajudas locais ao desenvolvimento. Os países estão a ficar infestados de pequenas ONGs financiadas pelos Estados Unidos que têm esse objetivo.
Ora bem, os Estados Unidos sabem que o Brasil é uma força ultimamente autônoma. Há uma lógica da autonomia em relação aos Estados Unidos e que não permite a liberalização que eles estão a querer.
Os Estados Unidos estão tentando, com a Aliança do Pacífico, neutralizar os Brics. Só que não têm, de maneira nenhuma, o poder para fazer, porque basta ver quem está na Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru) e quem está nos Brics. Portanto, o novo banco do desenvolvimento (dos Brics) é uma alternativa ao Banco Mundial. Como os Estados Unidos dominam o mundo fundamentalmente com o sistema financeiro, porque já não têm capacidade industrial para isso, tudo que seja ameaça ao sistema financeiro do dólar é, para eles, algo muito grave.

O senhor concorda que o governo brasileiro de Lula e Dilma incentivou muito o consumo, mas pouco a cidadania, e que se precisa de menos geladeira e carro e de mais educação e cultura?
Tenho escrito isso. A integração que se fez aqui foi pelo consumo, e não pela cidadania. Portanto, isso teria implicado outras coisas. Por exemplo, que a massificação dos serviços teria que ser compensada com o aumento da qualidade dos serviços para que eles não degradassem.
A juventude viu claramente visto, como diria Camões, que com a Copa havia muito dinheiro para algumas coisas e não para outras, como as universidades, o transporte público etc. Isso dramatizou o erro na distribuição do dinheiro público, naturalmente desconectou a juventude do sistema político.
O governo contra-argumenta dizendo que os investimentos em infraestrutura não tiraram dinheiro da educação, por exemplo, e que investiu em universidades públicas federais o que nunca tinha sido investido no país.
É grande a revolução e não é uma revolução apenas quantitativa que colocou mais jovens nas universidades. É toda a luta pela diversidade cultural, contra o racismo e a discriminação racial contra negros e indígenas no Brasil, todo o sistema de cotas... E a grande revolução democrática que ocorreu nos últimos anos. De uma vez só, aumentaram 5 mil postos de trabalho para professores nas universidades federais, o que é absolutamente notável, mas isso não foi acompanhado de um investimento na infraestrutura, nos salários dos professores e nos equipamentos das universidades. Quando se calcula que vão entrar 50 milhões de pessoas no sistema público de saúde, naturalmente vão querer qualidade. Portanto, acho que o governo está a ser vítima de seu êxito, não do fracasso. Este governo não fracassou de maneira nenhuma. Só que teve tanto êxito que criou tanta expectativa que agora é um pouco difícil não frustrar a expectativa. E a expectativa frustrada é o que traz as pessoas para a rua.
"É possível que iremos assistir a outro tipo de manifestações aqui, na Espanha, Portugal, Itália, já que este é um tempo de manifestações extrainstitucionais que vão dar origem a um certo período de turbulência política nas democracias"

A Constituição brasileira garante o Estado laico. Se Marina Silva se eleger ela ameaçaria a laicidade, por ser evangélica e religiosa?
Seria um retrocesso total. Não é um problema do Estado laico. O Estado inglês é religioso, por exemplo, mas ninguém sabe nem se interessa, precisamente porque as políticas são de total respeito à diversidade religiosa. O que acontece é que os evangélicos, sobretudo, são uma vertente de uma teologia política conservadora e que, portanto, quer interferir na vida pública e a primeira coisa que fazem é nos estilos de vida, é nas orientações sexuais, no aborto e depois por aí afora, nas escolas, na educação religiosa etc.
Veja o espetáculo triste da Marina: por um lado admitir os direitos dos gays e, em 24 horas, ser obrigada a recuar. Isso mostra que ela é realmente um instrumento das forças conservadoras. Não é uma pessoa sustentada por um partido, ao contrário da Dilma. Ela é muito frágil perante aqueles que a apoiam, sejam os blocos religiosos, sejam os blocos políticos do partido socialista ou dos que a acompanham. Portanto, teríamos, com certeza, um retrocesso em um país que, quando teve presença religiosa no passado, era luminosa e progressista, a da Teologia da Libertação. O que está aqui agora não é uma teologia da libertação dos pobres, da luta pela inclusão social, é, ao contrário, aquela que vai punir os gays, as mulheres, o aborto.

O que mudou no Brasil desde as manifestações de junho de 2013?
Não mudou significativamente nada. Claro, o tipo de manifestações que nós temos hoje, a observar não só aqui, mas no mundo em geral, que é uma crise das instituições, que temos que analisar mais globalmente, têm um caráter quase sazonal. São fulgurações, aparecem em um período, ficam latentes em outro e, depois, voltam. Por exemplo, aqui tentaram voltar, de alguma maneira, na altura da Copa, mas não havia condições, no momento, para que elas pudessem ter êxito. Em São Paulo, tem havido uma iniciativa por parte do prefeito para começar a dar uma resposta a algumas das demandas que tenham saído da rua e espera-se que tenha algum resultado.
Fora isso, as questões que estavam em causa eram mais profundas e têm a ver com exclusão social, com uma certa desaceleração das políticas sociais que foram implementadas nos períodos anteriores e que têm a ver com a reforma do sistema político, uma vez que tornou-se clara a desconexão entre o sistema político e os cidadãos. É possível que iremos assistir a outro tipo de manifestações aqui, na Espanha, Portugal, Itália, já que este é um tempo de manifestações extrainstitucionais que vão dar origem a um certo período de turbulência política nas democracias.

Fernando Haddad tem sido bem-sucedido nas respostas?
É claro que governar uma cidade com mais de 10 milhões de habitantes, pouco menos que toda a população de Portugal, não deve ser fácil, mas penso que, no meio de limitações financeiras que, segundo me dizem, são sérias, ele está trabalhando no sentido de valorizar o sistema público de transporte, por exemplo, e tornar a cidade mais acolhedora e inclusiva. É evidente que isso não se faz de um dia para o outro. É evidente que, às vezes, leva a medidas impopulares que custam a reeleição dos políticos, mas esse é o risco que eu penso que Fernando Haddad está a querer assumir.

Como o senhor diferenciaria as manifestações ocorridas no Brasil das que aconteceram na Europa, como na Espanha e Portugal, a partir de 2012, considerando que a crise econômica europeia é mais grave do que a vivida aqui?
Tem pontos em comum e pontos de diferença. No caso do Brasil, estamos vindo de um ciclo ascendente de inclusão social e que, de alguma maneira, parece ter sido bloqueado, o que culminou nas manifestações. Ao passo que, na Europa, tivemos realmente um ciclo de exclusão social bastante contundente e rápido, motivado pela crise econômica e financeira.
"A democracia direta não é utopia, ela é realizável e está se realizando. No fundo, são todos os mecanismos em que os processos de decisão não contemplam a ideia de delegação de poder"
O que elas têm em comum é que qualquer um desses movimentos faz dois apelos que são muito importantes. Um é o apelo a uma democracia real, a ideia de que a democracia que nós temos não serve, não é suficiente para corresponder às nossas aspirações. A distância entre o ideal democrático e a prática democrática é muito grande no nosso tempo.
Em segundo lugar, em ambos os casos, há uma demanda de políticas sociais. No caso da Europa, são as políticas que existiam no âmbito da educação e da saúde públicas e que vêm sendo privatizadas. No caso do Brasil, é uma nova classe média que teve, pela primeira vez, a oportunidade de desfrutar de serviços públicos, educação, acesso à universidade, saúde etc. e que viu que, efetivamente, essa ampliação dos serviços não foi paralela com a manutenção da qualidade.

A democracia direta é realizável ou é uma utopia?
Não, ela não é uma utopia, ela é realizável e está se realizando. No fundo, democracia direta são todos os mecanismos em que os processos de decisão não contemplam a ideia de delegação de poder, portanto, as pessoas decidem coletivamente, em assembleia, os temas que lhe são mais caros. Obviamente, isso tem acontecido, está acontecendo naquilo que hoje se vai chamando zonas libertadas do capitalismo, que são grupos sociais que, em cidades europeias, no México, em Quito, em La Paz, têm moedas locais, e procuram, de alguma maneira, tornar-se independentes do mercado. Eu chamo isso de uma política pré-figurativa, isto é, que prefigura o futuro. Só que em uma escala muito pequena.
A democracia participativa começou no Brasil, aliás, de maneira muito luminosa no final dos anos 1980 com os orçamentos participativos. E seguiram-se depois, no período Lula, sobretudo no primeiro período, com uma série de mecanismos, como conselhos nacionais, conferências nacionais, para além dos orçamentos participativos.

As manifestações no Brasil tiveram dois momentos: o inicial, espontâneo, e um segundo, quando houve uma instrumentalização por forças talvez obscuras. Os movimentos progressistas e até o governo deixaram de aproveitar os aspectos positivos dos protestos?
Não é possível fazer um controle muito fácil de quem está efetivamente conduzindo. Porque, ao contrário dos movimentos sociais, que se identificam, e conhecemos suas bandeiras, líderes e ativistas, não é isso que está nas ruas. É, como digo, uma presença coletiva com nenhum obstáculo de entrada, que pode ter muita mistura. Pode ter provocadores, pode ter provocadores da polícia, como aconteceu. Na Europa, pode ter infiltrações da extrema direita, membros mandados de partidos de oposição. É claro que não é possível limitar isso. Também não penso que a gente possa demonizar as manifestações dizendo que são todas de provocadores, gente de direita etc., não é isso.
Acho que uma resposta boa foi dada logo no início pela presidenta Dilma, que, infelizmente, voltou atrás. Ou seja, uma Assembleia Constituinte. Se realmente é preciso reformar o sistema político, então vamos fazer uma Assembleia Constituinte livre e soberana e, a partir daí, as águas vão se separar e os problemas vão se resolver.
Mas Dilma depende do Congresso na proposta de uma Assembleia Constituinte e o Congresso não encampou, pelo contrário...
Sem dúvida, ela depende do Congresso. Esse sistema permite que o que há de mais progressista na sociedade brasileira tenha que se juntar ao que há de mais reacionário para poder garantir a governabilidade. É uma especificidade brasileira, não encontramos em muitos outros países. Normalmente, as coalizões são, obviamente com matizes, mas dentro do mesmo campo político, direita ou esquerda. Aqui não.
Fonte - RBA ( Rede Brasil Atual)  12/09/2014

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

GLOBO PARTE PARA O TUDO OU NADA CONTRA DILMA

Política

desmascarandoglobofolha

Novamente a Globo utiliza da dobradinha com a Veja para enganar a população. O esquema na véspera de eleições é sempre o mesmo:
1) Veja divulga várias matérias falsas ou distorcidas contra o PT.
2) Como a Veja só alcança um numero limitado de pessoas, a Globo se encarrega de levar as denúncias para a população em geral, mostrando como se já fosse tudo comprovado.
Nas eleições de 2006, tivemos o “escândalo” do dossiê contra José Serra (não comprovado), em 2010 foi o caso Erenice (não comprovado), em 2012 foram as infinitas capas sobre o mensalão (esse sim o único que teve uma condenação). Em 2014 é a vez do caso requentado da Petrobras.
O que aconteceu de fato nos bastidores da Veja e da Globo:
1) O primeiro passo foi não informar para a população que Paulo Roberto Costa, ex-diretor que está preso desde março, é funcionário de carreira da Petrobras desde 1978. É essencial saber que Paulo Roberto se tornou diretor da empresa ainda no governo FHC. Ele foi diretor da Petrobras Gás S.A. – GASPETRO, de maio de 1997 a dezembro de 2000. De janeiro de 2001 a abril de 2003, esteve como responsável pela Gerência Geral de Logística da Unidade de Negócios Gás Natural da Petrobras. Isso tudo é importante, porque mostra que não foi o governo do PT que levou essa pessoa para a empresa, além de revelar que existe uma alta probabilidade de que ele cometia seus desvios desde os tempos de FHC.
2) A Veja precisava de uma denúncia contra o PT urgente, para tentar prejudicá-lo na eleição. Como o depoimento de Paulo Roberto está criptografado e guardado a sete chaves em um computador na Polícia Federal, o jeito foi inventar . A revista não mostrou uma mísera prova de que teve acesso ao depoimento. Nem uma foto do cabeçalho do inquérito, nada. Hoje já se desconfia que a Veja se baseou em rumores ou mesmo inventou o inteiro conteúdo da delação. Isso é perfeitamente possível, uma vez que um colunista da revista chamado Lauro Jardim já tentou várias vezes “chutar” o resultado antecipado de pesquisas eleitorais, dizendo que teve acesso antecipado ao conteúdo das pesquisas, porém quando os resultados foram de fato divulgados não tinham nada a ver com o “chute”. Por essa razão, o governo já pediu para que os dados da delação de Paulo Roberto sejam divulgados para todos, uma vez que há a expectativa de que ele tenha citado nomes ligados ao PSDB, até porque, como dissemos anteriormente, ele já era diretor da Petrobras no governo de FHC.
Fonte - desmascarandoglobofolha  10/09/2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Um teste de credibilidade da mídia

Política

Por Luciano Martins Costa
Observatório da Imprensa:

Em períodos eleitorais como o que atravessamos, pode-se observar com mais clareza a pobreza do solo em que a imprensa hegemônica faz suas colheitas de notícias. Na entressafra de pesquisas de intenção de voto, predomina o jornalismo declaratório, que tenta transformar em informação relevante qualquer coisa que brote desse deserto de ideias. O mais novo fruto dessa seara de suposições é uma lista de políticos que teriam sido beneficiados por operações do doleiro Alberto Yousseff. Os artigos, editoriais e comentários publicados nas edições de terça-feira (9/9) sobre o assunto estão repletos de expressões condicionais, do tipo “maracutaias podem ter custado tanto”, “políticos teriam se beneficiado”, “seriam 62 os envolvidos” e “não se informou o que teriam praticado”. Em tudo predomina o cuidado de não fazer afirmações, principalmente porque a fonte primária, a revista Veja, tem um alentado histórico de farsas, denúncias forjadas e suposições nunca confirmadas, tudo misturado a acusações que se revelaram verdadeiras e fundamentadas. Por mais que o jornalismo predominante na mídia tradicional do Brasil se mostre há muitos anos contaminado por determinado viés ideológico, que impõe uma visão homogênea sobre os principais acontecimentos, ainda se pode observar certa cautela no intenso noticiário sobre o depoimento que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria negociado com a Justiça, em troca de amenizar a pena de prisão a que está sujeito. Mas há um abismo entre o que os jornais manifestam como opinião de seus editores e a convicção que expressam em seu noticiário. O editorial do Estado de S.Paulo pondera, com cautela, que “é ainda muito pouco – e incerto – o que acaba de vir a público do esquema de corrupção na Petrobras”. A Folha de S. Paulo, também em editorial, observa que o denunciante “tem todo interesse em tentar encurtar sua prisão, o que pode fazer não apenas narrando fatos reais, mas também confundindo a Justiça – hipótese em que os verdadeiros criminosos entenderiam o recado e tratariam de ajudá-lo”. Há, portanto, certa dose de reserva no núcleo de opiniões dos dois diários paulistas de circulação nacional quanto à credibilidade da fonte. O abraço dos desesperados Já o Globo não tem dúvida: tudo que vazou da suposta negociação entre o principal acusado das falcatruas na Petrobras e as autoridades é tido pelo jornal carioca como fato, e essa posição oficial se reflete no modo como o assunto vem sendo tratado em todos os veículos do grupo, com especial dedicação no Jornal Nacional de sua rede de televisão. No entanto, mesmo no núcleo de campanha do PSDB à Presidência da República, considera-se que é muito baixo o potencial desse noticiário para provocar mudanças na distribuição das intenções de voto. Analistas próximos ao senador Aécio Neves, citados pela imprensa, acham que a denúncia mais recente na safra de escândalos que nascem na Petrobras é muito genérica e imprecisa, e envolve tantos nomes que acaba se diluindo na conta geral da corrupção. Quem se beneficiaria desse noticiário ruidoso produzido em cima de uma ação desesperada do ex-diretor que se vê cada vez mais próximo de ser condenado? Os jornais observam que o candidato do PSDB é o único que pode tirar alguma vantagem do escândalo, visando principalmente os eleitores da classe de renda média, “urbanos e escolarizados” que apoiam a ex-ministra Marina Silva, como anota um colunista do Globo. Mas também Aécio Neves é um homem em circunstância de desespero, cujo patrimônio de votos se esvaiu com a ascensão da candidata do PSB. É muito mais provável que a suposta denúncia do ex-diretor da Petrobras tenha um efeito irrelevante nas escolhas do eleitorado. Mesmo que os autores do vazamento tenham o cuidado de alimentar a imprensa a conta-gotas, para manter o assunto no noticiário, o primeiro impacto é o que conta: depois disso, ensinam as teorias da comunicação, tudo passa a ser redundância. Certamente o tema será explorado no próximo debate entre os candidatos, marcado para o dia 2 de outubro na Rede Globo. Mas, antes disso, uma nova pesquisa terá indicado se a imprensa ainda possui alguma influência sobre as urnas.
Fonte - Blog do Miro ( Altamiro Borges)  10/09/2014

Por que Aécio vai mal em Minas? Porque os mineiros não conheciam Aécio

Política

Kiko Nogueira - DCM

Em Minas Em terceiro lugar nas pesquisas para presidente, Aécio Neves está amargando um resultado frustrante em seu berço político. De acordo com o último Datafolha, ele aparece, em Minas Gerais, com 22% das intenções de voto, atrás de Marina Silva (27%) e de Dilma Rousseff (com 35%, em primeiro lugar). Pimenta da Veiga, do PSDB, está oito pontos atrás do petista Fernando Pimentel. A crise fez com que a irmã de Aécio, Andrea, se transferisse para MG em busca de tentar estancar a sangria. De acordo com a Folha, o dirigente da Força Sindical, João Inocentini, um apoio importante, já teria entregado os pontos, afirmando que “a vaca foi para o brejo”. O PSDB manda no estado desde 2003. Aécio foi governador por oito anos. Elegeu o sucessor, Anastasia. No final de seu segundo mandato, pelos números do Vox Populi, alcançou 92% de aprovação. O que aconteceu? Bem, além do fenômeno Marina e do fato de que suas propostas não encantam ninguém, aconteceu que Minas não é o Brasil. A nacionalização de Aécio levou na enchente sua força regional. O jeito Aécio de lidar com a imprensa não é exportável para o resto do país. A ação que ele move contra o Twitter para abrir os dados de 66 contas — entre elas, a do DCM — é emblemática. Se antes ele falava no “submundo da internet”, hoje se refere a uma “rede orquestrada”. A pressão sempre funcionou muito bem em MG, onde ele resolvia as coisas com um telefonema. Para ficar num exemplo recente: as poucas matérias do maior jornal local, O Estado de Minas, sobre o aeroporto na fazenda de seu tio serviram para abrir-lhe espaço para dar explicações. O assunto foi, até o limite, escondido na mídia “oficial”. Como resultado, imediatamente após o escândalo, 64% dos mineiros nunca tinham ouvido falar da obra, segundo o Datafolha. Apenas 12% se declararam informados. Com a internet, ficou impossível camuflar o tema. Aécio sempre contou com essa blindagem (vale a pena ver o documentário “Liberdade, Essa Palavra”). Donde seu espanto e conseguinte agressividade diante de jornalistas que lhe fazem perguntas incômodas, como no Roda Viva — em que insinuou que o diretor da Piauí, que abordou a questão das drogas, “já tinha candidato” — ou no Jornal Nacional. Ele está sendo obrigado a responder por coisas sobre as quais nunca teve que dar satisfação. Aos poucos, a cortina de fumaça vai se dissipando — inclusive, obviamente, em Minas Gerais. Os mineiros estão, finalmente, conhecendo melhor o homem. E não estão gostando do que vêe
Fonte - DCM (Diário do Centro do Mundo)   09/09/2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Transposição entra em "Operação Assistida" e já capta água do rio São Francisco

Infraestrutura

Foto: Ministério da Integração Nacional
Divulgação.
Projeto Piloto, do Eixo Leste, já capta água do rio São Francisco até a Estação de Bombeamento em operação monitorada pelo ministério. 

André Clemente - Diario de Pernambuco
Está em fase de monitoramento, mas a água do rio São Francisco já corre na obra da Transposição. Foi iniciada a abertura das ensecadeiras (barramento) nos dois blocos de captação e a entrada da água já chega em cada um dos canais de aproximação, dos Eixos Leste e Norte. O enchimento dos canais até as primeiras Estações de Bombeamento (EB) de cada Eixo representa a primeira etapa de pré-operação do empreendimento. Essa fase é posterior ao processo de partida das instalações e anterior ao processo de funcionamento definitivo, ou seja, é uma fase de monitoramento. A "operação assistida" vai até dezembro deste ano.
A captação do Eixo Leste integra a Meta 1L (Projeto Piloto) que o ministério promete entrar totalmente em pré-operação até dezembro. São 16 quilômetros de trecho. Já as obras até o reservatório Jati (CE) no Eixo Norte, e até o reservatório Moxotó (PE) no Eixo Leste, que totalizam quase 300 km, deverão estar concluídas até junho de 2015. O prazo final para operar 100% do projeto continua dezembro de 2015.
O empreendimento apresenta 62,4% de execução física, conforme relatório físico do mês de julho deste ano. Mais de 11.400 trabalhadores estão atuando na construção da maior obra de infraestrutura hídrica do país. Cerca 4.000 mil máquinas estão em operação ao longo dos 477km de extensão das obras.
Atualmente, as empreiteiras trabalham 24 horas por dia no Eixo Norte, nos trechos entre Brejo Santo e Jati (CE); entre Mauriti (CE) e São José das Piranhas (PB) e na construção dos 15 quilômetros do túnel Cuncas I, o maior da América latina, em Mauriti. No Eixo Leste, as atividades no túnel Monteiro, localizado entre Sertânia (PE) e Monteiro na (PB), também são implantadas em período integral. O custo total da obra é de R$ 8,2 bilhões.
Fonte - Diário de Pernambuco  02/09/2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

MPF pede que órgãos federais investiguem acidente de Eduardo Campos

Política

Reprodução de TV
O acidente que matou o candidato Eduardo Campos e mais seis pessoas ocorreu no dia 13 de agosto - “Trata-se de atividade que é integralmente regulada, fiscalizada e controlada por um sistema de órgãos federais, os quais devem adotar providências de prevenção e apuração de acidentes aéreos....

Marcelo Brandão
Repórter da Agência Brasil 
O Ministério Público Federal em Santos (SP) pediu que autoridades federais investiguem o acidente aéreo que matou sete pessoas, entre elas o candidato à Presidência da República Eduardo Campos, no dia 13 de agosto. Atualmente, a Polícia Civil de São Paulo trabalha no caso. O pedido do MPF foi feito à Justiça Federal. Para o órgão, a competência federal se dá uma vez que a Constituição Federal estabelece que a navegação aérea é responsabilidade da União.
“Trata-se de atividade que é integralmente regulada, fiscalizada e controlada por um sistema de órgãos federais, os quais devem adotar providências de prevenção e apuração de acidentes aéreos, inclusive para estabelecer, no exercício da competência regulatória, a revisão de atos normativos e técnicos que disciplinam os vários aspectos dessa atividade complexa”, disse o procurador da República Thiago Lacerda Nobre, autor da solicitação, em material publicado no site do Ministério Público Federal.
A Constituição diz, no Artigo 109, que é competência dos juízes federais processar e julgar “os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União”. “Portanto, a apuração sobre eventuais delitos que teriam levado à queda do jato em Santos é competência apenas de autoridades federais (Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal)”, argumentou.
O jato Cessna 560XL prefixo PR-AFA, no qual estava o presidenciável, caiu por volta das 10h do dia 13 de agosto. Quando se preparava para pouso, a aeronave arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião, que atingiu casas e um bambuzal durante a queda, no bairro do Boqueirão. Campos viajava para Santos para cumprir agenda de campanha.
Fonte - Agência Brasil  25/08/2014

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Com apoio popular, Cristina Kirchner aprofunda opção pelos pobres e irrita conservadores

Internacional


Importantes setores laborais e eclesiásticos apoiam a profunda reforma social promovida no governo da presidenta Kirchner

Por Redação - CB
C/agências internacionais
de Buenos Aires
A presidenta argentina, Cristina Kirchner, ampliou nesta sexta-feira o seu raio de ação para conter os desafios que enfrenta no campo econômico, para combater a miséria no país, ao estudar nova restrição ao volume de exportações de carne bovina, um dos principais produtos na balança comercial. A decisão é mais um capítulo na queda de braço travada entre os setores mais à esquerda da sociedade argentina e a elite financeira e empresarial que sustentou a ditadura militar no país vizinho, uma das mais duras do continente. Apesar do amplo respaldo popular, Cristina tem sido fustigada por uma série de lockouts (greves patronais) no setor de transportes e alimentação, o que se traduz em transtornos no abastecimento e na guerra de propaganda que se desenvolve contra o seu governo.
Nesta manhã, as principais entidades agrícolas argentinas disseram que o governo federal restringiu as exportações de carne bovina, embora porta-vozes do governo contatados pela agência inglesa de notícias Reuters não tenham fornecido informações sobre a possível interrupção dos embarques da Argentina, que ainda é um dos principais exportadores de cortes de carne bovina, apesar da redução das exportações nos últimos anos.
“A Confederação Rural Argentina (CRA) rejeita a medida do governo nacional para interromper as exportações de carne bovina, sendo mais uma medida estranha, errada e negativa para todo o setor agrícola”, disse a associação de produtores em um comunicado de imprensa.
A restrição de exportações para alimentos como carne, milho e trigo tem evitado o desabastecimento local evitado a explosão de preços em um país que sofre com inflação alta, acima de 15% ao ano, segundo estimativas oficiais.
“Mais uma vez assistimos a mesma decisão autoritária para, na prática, bloquear as exportações de carne, medida que foi o início da crise no setor em 2006″, complementou a Sociedade Rural Argentina (SRA), por meio de um comunicado, emitido também nesta sexta-feira.
Na contramão do que alegam os empresários, no entanto, o preço da carne nas prateleiras dos supermercados argentinos teve, até agora, um aumento de 54%, bem acima de quaisquer dados de inflação, segundo contabilizou o chefe de Gabinete da Presidência, Jorge Capitanich. O executivo atribui o aumento exagerado a uma circunstância natural, as cheias dos rios em áreas de pecuária extensiva, com o alagamento dos pastos, e a dois fatores especulativos dentro da cadeia de comercialização: o um aumento da quota de exportação para a Europa e possíveis exportações para a Rússia. Diante deste quadro, os empresários do agronegócio aumentaram o preço da carne no balcão.
– A evolução do preço do gado melhorou substancialmente para o produtor nos últimos cinco anos. O aumento (dos preços) não está associado com licenças de exportação – disse Capitanich.
Na fronteira do marketing, para fustigar ainda mais o governo popular argentino, os empresários têm aumentado o preço sob a alegação de que houve um aumento nas exportações para a Rússia, quando na realidade os frigoríficos privados tomaram a decisão de não exportar para esse destino e têm disponibilizado a carne para consumo interno, a preços irreais e margens de lucro superiores.
Em sua conferência de imprensa, Capitanich reconheceu a existência de 138 pontos “com dificuldades operacionais, e eles estão aplicando o Programa de Produção de Revitalização (Repro), que fornece um mecanismo para uma atenção especial”. A reviravolta no setor, que começou a mostrar mercado nacional mais rentável para exportar, também resultou no encerramento de alguns estabelecimentos focados exclusivamente na exportação. O chefe de gabinete também disse que o preço da carne está ligado ao aumento da fronteira agrícola, o que teria ganhado 11 milhões de hectares para pecuária com a recuperação das pastagens.
Em 2013, a Argentina exportou 201.688 toneladas de carne bovina no valor de US$ 981 milhões, de acordo com o Ministério da Agricultura. Nos primeiros seis meses de 2014, 84.453 toneladas foram embarcadas, no valor de US$ 437 milhões. Em 2005, o último ano em que as exportações não foram limitadas, de acordo com os sindicatos do setor, as exportações do país sul-americano haviam totalizado 771.427 toneladas.

Usura internacional
A disputa entre os pólos econômicos argentinos é tão intensa no país que o governo, em sua luta contra o neoliberalismo, recebe o apoio até de significativa parcela da comunidade eclesial. Segundo o jornalista Washington Uranga, do diário portenho Página 12, a questão de fundo na disputa entre segmentos conservadores da sociedade argentina e a presidenta Kirchner está na sua opção de combater a miséria no país. Na véspera, o grupo nacional Curas en Opción por los Pobres emitiu, no encerramento de sua reunião 27ª reunião anual, o comunicado intitulado Não devemos mais continuar, para expressar sua rejeição “à imposição global do capitalismo liberal e da desigualdade que multiplica a pobreza e acelera a concentração imoral de riqueza em poucas mãos, condenar a usura fundos abutres internacionais e criticar os cargos eclesiásticos simpatizantes das políticas em favor dos poderosos e contra os pobres”. A organização atua em um amplo espectro social, com um poder de mobilização capaz de promover grandes manifestações no país.
No mesmo texto o grupo religioso oferece o seu apoio ao governo nacional em questões como a Lei de Abastecimento e manifesta o seu pedido para que, independentemente do resultado das eleições, sejam respeitados os direitos dos setores populares incorporados em anos anteriores. Olhando para a próxima eleição, os integrantes do grupo sublinharam que direitos foram adquiridos ao longo do tempo e que esperam “independentemente do resultado das próximas eleições, que esses direitos sejam ratificados e as pessoas podem sentir-se possuidores do que por direito lhes pertence”.
O grupo, cujo coordenador é o sacerdote Eduardo de la Serna, tornou-se referência para os padres católicos em seu compromisso de fé e na manifestação de seu apego às causas populares e ao acompanhamento das iniciativas em favor das camadas mais pobres e marginalizadas da sociedade. A maioria dos religiosos realizam trabalho pastoral nos bairros e vilas em todo o país. Muitas de suas posições, em desacordo com os bispos católicos conservadores, são colocadas publicamente, embora a maioria os padres ainda mantenham diálogo com seus superiores eclesiásticos.
Em sua declaração, os sacerdotes católicos celebram o governo nacional confrontado “com os poderosos setores que se recusam a necessária função reguladora do Estado em favor do bem comum com ferramentas como a Lei de Abastecimento, acostumados como estão a fazer sempre o que eles querem, para seu próprio benefício e em detrimento de toda a população”. Os sacerdotes que fizeram a opção pelos pobres também celebram “a democracia que, com todas as suas limitações como a nossa – nos permite viver em liberdade e celebrando a vida, apesar de tantas sombras que tantos querem derramar nas ruas de nosso país”. A unidade latino-americana que se manifesta no apoio ao país também é reconhecida como a “experiência cristã” do povo para o qual, dizem,”queremos continuar a apoiar”.

Tensões acirradas
Para conter o avanço do capital sobre os avanços sociais, no país, Cristina Kirchner chegou a cogitar a edição de uma lei antiterrorismo contra setores do empresariado que tentam subverter a ordem econômica e ampliar as dificuldades de abastecimento. A legislação prevista tem poder de ingerência do governo na produção de empresas privadas. O conflito ocorre em meio às incertezas sobre o pagamento aos credores da dívida argentina e diante da crítica de muitos economistas, que afirmam que o país está em recessão, com inflação crescente e temores de alta nas taxas de desemprego.

As principais câmaras de empresários do país divulgaram comunicados rejeitando as iniciativas do governo de utilizar uma lei antiterrorismo contra determinados negócios e de tentar votar o projeto de uma nova lei de abastecimento. Aprovada em 2011, a lei antiterrorismo foi citada pela presidente na semana passada, quando questionou o fechamento de uma gráfica na Argentina com capital norte-americano. Cristina Kirchner sugeriu que a gráfica Donnelley foi fechada deliberadamente pelos controladores norte-americanos para desestabilizar a economia argentina, com a demissão de 400 empregados. Os donos da gráfica alegaram que o fechamento ocorreu por conta de uma falência.
Cristina chegou a afirmar que usaria a lei antiterrorismo para processar os controladores da gráfica, mas o presidente da Comissão Nacional de Valores (CNV), Alejandro Vanoti, disse em seguida que houve “uma confusão” e que a lei não seria usada.

Abastecimento
Já o projeto sobre a mudança na Lei de Abastecimento, de 1974, começou a ser debatido no Senado ao longo desta semana e o governo espera aprová-lo nos próximos dias. Este projeto foi rejeitado pela oposição e pelo setor empresarial por “autorizar o governo a regular a cadeia produtiva, estoques e lucros”, segundo afirmaram empresários e políticos ouvidos pela agência britânica de notícias BBC.
A senadora da oposição Gabriela Michetti entende que, se aprovada, a lei dará ao governo “o poder de fechar empresas”. O representante dos ruralistas, Luis Miguel Etchevere, também reclama. Diz ele que lei seria uma violação da propriedade privada.
– Vamos apelar à Justiça – adianta.
A presidenta, no entanto, em um pronunciamento na véspera, afirma que empresários e o setor financeiro não têm motivos para preocupação.
– São leis para proteger o consumidor. Os projetos estão sendo debatidos e estamos abertos à discussão – esclareceu Cristina, durante um evento para celebrar o aniversário da Bolsa de Comércio (Valores) de Buenos Aires.
Aliados da presidente entendem que sua política econômica está no caminho certo. Para o economista András Asian, o kirchnerismo tirou o país da bancarrota e melhorou a vida dos argentinos.

Fundos abutres
O diário Página 12 reproduziu a imagem do juiz
homas Griesa ao lado de um abutre


Para os críticos do governo, a maioria deles ligada ao capital internacional, a presidenta marchou ainda mais à esquerda depois que um juiz de Nova York, Thomas Griesa, determinou que o governo argentino somente pague os juros da dívida de 2001, reestruturada em 2005 e em 2010, se também pagar àqueles que recusaram as ofertas do governo e exigem o pagamento integral dos títulos públicos – esses credores são os chamados ‘fundos abutres’. Nesta manhã, a Argentina acusou o juiz norte-americano que chamou o novo plano de reestruturação da dívida argentina de ilegal de fazer comentários “imperialistas” contra o país.
A terceira maior economia da América Latina caiu em seu segundo default em 12 anos em julho, depois que o juiz distrital Thomas Griesa bloqueou o pagamento a detentores de dívida emitida sob a lei norte-americana que foi reestruturada após o default em 2002. Griesa disse que as medidas anunciadas pela presidenta argentina para fazer os pagamentos da dívida localmente e levar detentores de títulos a levarem as dívidas que detêm para a jurisdição das leis argentinas violam decisões anteriores do tribunal, embora ele não tenha chegado a declarar o país em desacato.

Jorge Capitanich, na entrevista desta manhã, disse que as palavras escolhidas por Griesa foram “infelizes, incorretas e até mesmo, eu diria, expressões imperialistas”.
– Merece repúdio de caráter coletivo … as infelizes declarações do juiz Griesa, que constituem uma ingerência indevida de um magistrado de outro país sobre a soberania da República Argentina – disse Capitanich.
Em comunicado divulgado no final da quinta-feira, o Ministério da Economia da Argentina disse que as declarações do juiz veterano demonstraram uma “completa ignorância do funcionamento de instituições democráticas”.
Analistas dizem que um acordo entre a Argentina e os fundos de investimento norte-americanos que rejeitaram a reestruturação é agora improvável antes da eleição no país no próximo ano, na qual a presidente Cristina Kirchner não pode concorrer.
Fonte - Correio do Brasil 22/08/2014

A guerra titânica da mídia oposicionista

Política


“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo”.
Maria Judith Brito, Presidente da Associação Nacional de Jornais, no jornal O Globo de 18/3/2010. É funcionária da Folha de São Paulo.

Por Jeferson Miola, no site da Fundação Perseu Abramo:
O acidente com o candidato do PSB criou uma nova circunstância eleitoral. Mas não significa – como tentam sugerir analistas, oposição e mídia –, que tenha se iniciado uma “nova eleição”.
Marina Silva não é novidade; sempre figurou no radar eleitoral. Ao fracassar na criação da Rede, se juntou ao PSB para ser vice de Campos. Se tivesse conseguido criar seu partido, não seria sua vice, inclusive disputaria contra ele a ida para o segundo turno.
A candidatura de Marina aponta para a probabilidade estatística, ainda incerta, de ocorrência de dois turnos na disputa presidencial. As sondagens indicavam a vitória direta da Dilma já no primeiro turno; e esta ainda segue sendo uma hipótese plausível.
Marina não é, em razão disso, o fator de maior transcendência na conjuntura. O aspecto mais transcendente nessa nova circunstância eleitoral é o realinhamento estratégico da mídia operado a partir da trágica morte de Eduardo Campos.
Mídia e política são dois âmbitos interdependentes, imbricados, e se retroalimentam. A política enuncia, no espaço da mídia, o debate público que estrutura a disputa de poder, de hegemonia, de rumos e interesses societários.
A mídia, por outro lado, agenda a política e “inocula” na arena da política as tensões e disputas que intenciona ver processadas no debate público, segundo os interesses conjunturais ou estratégicos.
A mídia exerce um ativismo político exacerbado, característico de organizações partidárias. Por isso se diz da existência do PIG [Partido da Imprensa Golpista]. O PIG do Brasil tem longínqua participação em táticas desestabilizadoras: foi decisivo no suicídio de Getúlio Vargas e na ambientação da derrubada do Jango para a instalação da ditadura cívico-militar.
A simbiose mídia-oposição é irrefutável. No período dos governos Lula e Dilma, os principais debates ou escândalos políticos não foram gerados pela oposição partidária ou congressual, porque foram antes agendados pela mídia oposicionista.
Esse papel fica bem ilustrado nas palavras da Executiva da Folha de São Paulo e presidente da ANJ: “esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”.
A direita está sem discurso, sem base social e sem capacidade de oferecer perspectivas de futuro para o país. Em vista disso, a mídia se assume como vanguarda na oposição odiosa ao PT.
Depois de ver fracassarem todas suas profecias apocalípticas – crise energética, fiasco na Copa, descontrole inflacionário, recessão, desemprego, ... –, a mídia então fabricou a onda de pessimismo; é a moda do momento.
O acidente aéreo apareceu como uma chance de ouro numa eleição que tinha tudo para ser perdida no primeiro turno. Foi fundamental, então, super-explorar emocionalmente o acidente, para provocar profunda consternação na sociedade – foi o que se assistiu com a espetacularização da morte e a glorificação do morto.
Não teve luto no sentido literal da palavra. Desde a confirmação do acidente até o sepultamento dos corpos, a política reinou absoluta no palco da tragédia, num espetáculo contracenado pela família, correligionários, oposição e mídia. No script, até vaias para Dilma e Lula em pleno velório!
A cobertura midiática reforçou os dispositivos simbólicos identificados com o ideário oposicionista. O slogan “não vamos desistir do Brasil”, pinçado pelo William Bonner da entrevista de Campos ao Jornal Nacional, foi dotado de conotação mudancista e traduzido como “legado” a ser continuado por Marina, que passou a encarnar a aposta supersticiosa e messiânica.
Essa carga propagandística, entretanto, tem prazo de validade. Passada a ressaca emocional, a racionalidade tomará o lugar do emocionalismo lúgubre. A lógica vai desmistificar a fantasia da terceira via; Marina é um ramal ideológico do mesmo conservadorismo do Aécio: programa e equipe econômica neoliberal e alianças com o PSDB e PPS.
Além disso, o programa gratuito servirá para Dilma fazer contraposição à brutal oposição que sofre dos meios de comunicação. Dilma conseguirá finalmente mostrar ao povo brasileiro o novo e generoso Brasil que é protegido da crise mundial, que se desenvolve com pleno emprego, igualdade e justiça social; mas que incrivelmente não é retratado pela Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão, RBS e grupos midiáticos conservadores.
Seria ingenuidade pueril não imaginar o clima de guerra e terrorismo que poderá ser armado pela mídia contra Dilma, Lula e o PT. A cada artilharia fracassada da mídia e da direita no seu propósito de “arrancar o PT do poder”, outro arsenal ainda mais destrutivo será inventado.
Existem sinal de tensões graves no ar. A postura desequilibrada e truculenta – para não dizer delinquente – do William Bonner na entrevista da Dilma no Jornal Nacional mostra que a Rede Globo afia as armas, multiplica o arsenal bélico e organiza o exército conservador.

Alerta total: no ar, a Rede Globo de 1989, numa guerra titânica contra o PT.

* Jeferson Miola é integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial
Fonte - Do Blog do Miro (Altamiro Borges)  22/08/2014

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Marina fala do que não entende

Política

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Marina Silva entrou na campanha batendo em Dilma Rousseff. Em sua primeira entrevista depois que o PSB oficializou a candidatura, ela foi para cima da presidente: “É lamentável que tenhamos desde 2002 a ameaça de apagão. Eu digo lamentável porque nós temos há 12 anos a mesma pessoa à frente da política energética do nosso país, inicialmente como ministra (de Minas e Energia), depois como chefe da Casa Civil e agora como presidente da República”. Compreensivelmente em busca de espaço na campanha, Marina mostrou-se desatualizada em matéria de fantasmas criados pela oposição para tentar colocar o governo na defensiva. O “apagão” foi uma miragem que veio depois do fantasma da hiper-inflação e antes da Copa que não ia acontecer. Era simples factoide, destinado a criar uma ambiente de pessimismo artificial, num país que está longe, muito longe, de ser uma nação sem problemas - mas onde se vive o mais baixo desemprego da história, onde os mais pobres realizaram conquistas inegáveis, inclusive na instalação de luz elétrica, que hoje só não atinge absolutamente 100% de todas as residências porque sempre haverão aqueles lugares perdidos e distantes num país imenso. O que se procurava, com o fantasma número 2, era nivelar a gestão Lula-Dilma com o governo FHC no qual ocorreram, efetivamente, o governo foi obrigado a organizar um racionamento de energia, produto de uma visão política que não compreendia a necessidade do Brasil crescer e não tomou, é claro, as providências que tornariam isso possível. O desagradável, no caso, é que a crítica de Marina ajuda a encobrir seu próprio papel nessa história. Como ministra do Meio ambiente, ela fez o possível para atrapalhar o esforço legítimo do governo Lula para garantir o suprimento de energia que permite a uma pessoa assistir TV, tomar banho quente, ligar o computador e até ler um livro à noite - ter acesso a civilização, enfim. Se é possível apontar falha de projeto aqui, uma decisão errada ali na atuação de qualquer autoridade, em qualquer época, a atuação de Marina leva a outro balanço no campo de energia. Consistiu em impedir investimentos que iriam ajudar os brasileiros pobres, desamparados, a vencer atrasos históricos. Apoiada numa visão excludente do meio ambiente, pela qual o progresso social pode ser sacrificado em nome da preservação ambiental, sua passagem de cinco anos pelo ministério do Meio Ambiente foi orientada em grande medida para combater a construção de hidrelétricas importantes, responsáveis pela energia mais limpa que se conhece. Se a obras não foram impedidas, foi porque ela não tinha força para isso. Não era apoiada pela maioria dos ministros nem por Lula. Mas Marina fez o possível para atrasar projetos, adiar licitações. Derrotada nas questões de mérito, dava espaço para entreves burocráticos. Jogou duro contra Santo Antônio que, ao lado de Jirau, elevou em 10% o potencial energético do país. Terceira maior usina do mundo, construída após demoradas negociações e inúmeras concessões ambientais, que reduziram em larga medida seu potencial energético original, Belo Monte, terceira maior usina do mundo, só pode seguir em bom ritmo depois que ela deixou do governo. Nunca deixou de fazer uma campanha permanente contra a construção de Angra 3 e de outras usinas nucleares, principal fonte de energia em países cujo padrão de vida são exemplo para o mundo, como França e Alemanha. Sete anos depois de deixar o governo Lula, Marina quer mais energia. Em vez de cobrar, seria mais honesto fazer uma autocrítica, certo?
Fonte - Blog do Miro (Altamiro Borges) 21/08/2014

O que a Globo vai descobrir se o jatinho do JN pousar em Montezuma

Política

Por Ricardo Amaral, no Conversa Afiada
Dos 16 minutos cronometrados [da entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo], Dilma falou 10 minutos e meio; [o apresentador William] Bonner, 4 e meio, e Patrícia [Poeta, a apresentadora] quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação. Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves – que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível – a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas.


Antes de pousar, avisem o menino

Por Luiz Carlos Azenha,
de Montezuma, Minas Gerais
Estamos, outra vez, em temporada eleitoral. Temporada de entrevistas no Jornal Nacional, de debates, daquele jatinho que cruza os céus do Brasil em busca de discutir os problemas nacionais. Em geral, são os problemas federais. Como os leitores, ouvintes e telespectadores do quarteto midiático — Folha, Estadão, Abril, Organizações Globo — talvez já tenham notado, não existem problemas de fundo em São Paulo, nem em Minas Gerais — por coincidência, sob governos tucanos.
Talvez a produção do JN decida pousar em Montezuma, no extremo norte do estado de Minas, fronteira com a Bahia. Há quem estranhe que a emissora mais poderosa do Hemisfério Sul não tenha feito isso ainda, diante das denúncias de que um dos candidatos ao Planalto teria beneficiado a própria família com dinheiro público.
O Jornal Nacional está preocupadíssimo com a corrupção, como se viu na entrevista de William Bonner com a presidente Dilma Rousseff.
Assim sendo, é mais que justo que despache o jatinho até Montezuma.
A simpática cidade, de cerca de 8 mil habitantes, tinha uma pista de terra mandada construir pelo ex-governador mineiro Newton Cardoso. No final de 2007, quando Aécio Neves era governador de Minas Gerais, o aeródromo foi incluído no ProAero, o Programa Aeroportuário de Minas Gerais.

Segundo o Diário Oficial de Minas Gerais, o objetivo do programa tocado pela Secretaria de Estado e Obras Públicas (SETOP) era que Minas tivesse, em 2011, “69 aeroportos funcionando 24 horas por dia”.
Antecipando-se à Globo, apesar de seus parcos recursos, o Viomundo constatou que, no que se refere a Montezuma, o programa fracassou.
Não se você considerar justificável construir aeroportos para manter a saúde pública.
Hoje Montezuma, cidade de 8 mil habitantes, dispõe de uma pista asfaltada de cerca de 1.300 metros. É mais ou menos o mesmo tamanho da pista de Guarujá, no litoral paulista, cidade de 300 mil habitantes onde aconteceu o trágico acidente envolvendo o candidato Eduardo Campos.


Porém, o aeródromo de Montezuma está abandonado.

A revista CartaCapital tentou explicar a insanidade:

Em março de 2008, o Departamento de Estradas de Rodagem mineiro adiantou-se e escolheu uma empreiteira para pavimentar a pista de terra de Montezuma. Contratou a Pavisan, por 268.460,65 reais. Segundo um ex-executivo da empresa, que lá trabalhava à época, a obra foi um mau negócio. O valor seria irrisório e não cobriria os custos. Ele não vê razão econômica para o estado investir no local, pois perto de Montezuma há cidades maiores que poderiam ter sido contempladas com um aeroporto. Qual seria a justificativa? A proximidade com as terras da família de Aécio? Facilitar o contato aéreo entre pai e filho? E se o negócio era ruim, por que a empreiteira topou? A Pavisan fechou vários contratos com o governo mineiro durante a administração de Aécio. O dono da construtora, Jamil Habib Cury, ocupou cargo público na gestão do tucano. Foi diretor do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais. Estava no posto quando a Pavisan foi escolhida para a pavimentação em Montezuma. Consta ainda na lista de doadores das duas campanhas vitoriosas de Aécio ao comando do estado, em 2002 e 2006. Na última, doou 51 mil reais.


A placa ao lado é de uma Unidade Básica de Saúde que está sendo reformada, bem diante do aeroporto abandonado de Montezuma.
Quer dizer que o governo de Aécio Neves torrou, em dinheiro de 2011, reajustado pela inflação de William Bonner, duas unidades básicas de saúde da Patrícia Poeta para asfaltar um aeroporto-fantasma?
Teria sido pelo fato de que a família do candidato tucano ao Planalto é proprietária, no município, de quase mil hectares de terras, na Perfil Agropecuária e Florestal?




Acima, reproduzimos trecho da declaração de renda do candidato. ( http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/de-zero-a-r-17-mi-o-patrimonio-dos-presidenciaveis-em-2014 )
Quando as obras foram feitas em Montezuma, com Aécio governador de Minas, o pai dele era o dono das terras, obtidas através de usucapião.
O pai de Aécio foi deputado estadual entre 1955 e 1963 e deputado federal entre 1963 e 1987. Ou seja, estava em posição de poder ou tinha o filho em posição de poder quando tocava demandas judiciais para ficar com a propriedade.
Era dono das terras e tinha o filho em posição de poder quando a reforma do aeroporto aconteceu, mais ou menos a 30 quilômetros de sua propriedade.
Mera coincidência?
O então governador e hoje candidato sabia que, potencialmente, ao promover a reforma poderia valorizar sua futura propriedade?
Em nossa passagem por Montezuma, entrevistamos duas pessoas que viram o agora senador desembarcando no aeroporto reformado. Aécio pousou lá. Em outra ocasião, foi o cantor Amado Batista, na véspera de fazer um show numa cidade do sul da Bahia.
Uma moradora da cidade disse que o aeroporto foi um dos principais investimentos estaduais já feitos em Montezuma. Segundo ela, antes da obra os montesumenses eram obrigados a caminhar em rodovias da região, correndo risco de atropelamento.
Agora, dispõem de um aeroporto para se exercitar. As caminhadas acontecem de manhã, bem cedinho, ou no final da tarde.


É isso mesmo: a obra do ProAero foi convertida em uma imensa pista para que a população local mantenha a forma física.
Perguntei a um dos usuários sobre o risco de um avião pousar inadvertidamente. Ele respondeu mais ou menos com as seguintes palavras: “Dá para ouvir o barulho. Qualquer coisa a gente se joga no mato”.
O aeroporto nunca foi homologado pela ANAC, a Agência Nacional de Aviação Civil.
Ainda assim, segundo os montesumenses que ouvimos, em tempos “de política” pousam ali aviões trazendo candidatos.
Este ano, quem sabe, será a vez do jatinho do Jornal Nacional.
PS1 do Viomundo: Já imaginaram se o Lula tivesse mandado reformar um aeroporto perto das terras — inexistentes — do filho dele, que para metade dos brasileiros é dono da Friboi (falso!) e tem como sede de fazenda a Escola Superior de Agicultura (ESALQ) de Piracicaba (falso!)? Quantas equipes a Globo despacharia para cobrir o escândalo?
PS2 do Viomundo: Na semana que vem, publicaremos a reportagem completa sobre nossa visita à cidade, bem como um mini-doc sobre o Choque de Gestão em Montezuma.
Veja matéria original aquihttp://www.viomundo.com.br/denuncias/o-que-globo-vai-descobrir-se-o-jatinho-jornal-nacional-pousar-em-montezuma.html )
Contribuições para o Viomundo - http://www.viomundo.com.br/faca-parte
Fonte - Viomundo 20/08/2014

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A energia e os profetas do apocalipse

Política

foto - ilustração
O caso da crise da água em São Paulo e da pretensa crise energética no Brasil é emblemático neste sentido. As redações da mídia monopolizada, a maioria sediadas na capital paulista, evitam dar destaque para o racionamento que já afeta dezenas de milhares de residências, prejudica a indústria e atinge até bairros da chamada classe média, como a charmosa Vila Madalena. Tudo é feito para blindar o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição.

Por Altamiro Borges
A mídia hegemônica é despudorada no seu ativismo político. Há muito tempo ela perdeu qualquer compromisso com o jornalismo e se comporta como um autêntico “partido do capital”, segundo a clássica definição do revolucionário italiano Antonio Gramsci. O caso da crise da água em São Paulo e da pretensa crise energética no Brasil é emblemático neste sentido. As redações da mídia monopolizada, a maioria sediadas na capital paulista, evitam dar destaque para o racionamento que já afeta dezenas de milhares de residências, prejudica a indústria e atinge até bairros da chamada classe média, como a charmosa Vila Madalena. Tudo é feito para blindar o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Já a alardeada crise energética do Brasil é tida como certa. Pelos noticiários dos jornalões e dos telejornais, até parece que várias regiões do país já estão vivendo às escuras – num cenário bem mais sombrio do que o “apagão energético”, este sim real, do triste reinado tucano de FHC. Todos os dias a mídia privada e privatista garante que vai faltar luz nas residências, que as indústrias vão paralisar suas atividades, que o preço da energia vai explodir e que será um caos total na economia brasileira. Tudo é feito para desgastar a presidenta Dilma num ano eleitoral. O governo até reconhece que há problemas no setor, mas garantem que não existe risco de colapso. Mesmo assim, a mídia tucana bate seu bumbo irritante. De vez em quando, até para disfarçar o seu partidarismo, ela é forçada a publicar uma opinião divergente – que fica perdida do meio do tiroteio contrário. Nesta terça-feira, por exemplo, a Folha tucana deu espaço na coluna “Tendências e Debates” para um contraponto a sua cobertura terrorista. Vale conferir o artigo do engenheiro Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), até porque análises mais sensatas sobre este problema são muito raras neste e em outros jornalões. ***** Profetas do apocalipse A MP 579, recepcionada e convertida em lei pelo Congresso, proporcionou uma redução estrutural na tarifa de energia Há dois anos, a presidenta Dilma Rousseff prometeu reduzir as tarifas de energia. Cumpriu. Desde o fim do ano passado, profetas do apocalipse anunciam um racionamento. Erram. Agora, travestidos de analistas de videoteipe, realinham suas baterias e acusam: o setor elétrico foi desorganizado. Erram novamente. Continuam confundindo a opinião pública - ao misturar conceitos e dados - e distorcendo a realidade, na tentativa de emprestar alguma sustentação às teses que formulam. A quem interessa essa desinformação? A medida provisória 579, recepcionada e convertida em lei pelo Congresso, proporcionou uma redução estrutural na tarifa de energia. Isso significa queda permanente da tarifa devido à apropriação pelo consumidor de parte do bônus oferecido por um parque gerador e transmissor amortizado e à retirada da tarifa de custos de políticas públicas (Luz para Todos, subsídios à baixa renda). Como os livros de economia ensinam, tais custos devem ser debatidos pelo Parlamento e, portanto, suportados preferencialmente pelo Orçamento da União. Não se confunda essa queda estrutural com variações conjunturais de custo devidas à escassez de chuva. Sem a medida provisória, a tarifa de energia seria igualmente afetada pelo aumento do custo de produção imposto pela conjuntura climática adversa --basicamente, aumento da geração térmica, fato característico de um sistema hidrotérmico como o brasileiro. Teríamos um impacto tarifário de efeitos nefastos, já que os reajustes necessários ao custeio das térmicas se dariam sobre uma base 20% mais alta. A normalização da hidrologia restabelecerá as condições operativas do sistema e inverterá o sinal das variações conjunturais de custo. Argumentam os ex-profetas, agora analistas, que a MP 579 quebrou um dos pilares do modelo implantado em 2004, cujo sucesso, saliente-se, tem reconhecimento internacional. Nada mais falacioso. De fato, a partir de 2013, com a decisão das geradoras Cesp, Cemig e Copel de não aderir às condições da MP 579 e de não participar dos leilões daquele ano, uma parte da demanda das distribuidoras ficou sem cobertura, ou, no jargão do setor, exposta. Isso gerou custos altos porque a energia não contratada teve de ser comprada no mercado de curto prazo, onde os preços se elevaram em razão da escassez de chuvas. Foi uma aposta arriscada. Se não fosse a medida provisória, o nível de exposição seria muito maior. Afinal, outras geradoras também não ofereceriam sua energia nos leilões. Ou seja, a MP evitou aumento de custo ainda maior! Toda essa situação será normalizada no próximo ano, quando vencerão as concessões das usinas das três geradoras e as respectivas produções serão alocadas às distribuidoras ao preço de custo. Isso traz um viés de baixa à tarifa, em sinal contrário à elevação devida à exposição e à geração térmica. Nessas situações, a solução natural é fazer uma "ponte", de modo que um aumento de custo transitório possa ser absorvido sem maiores traumas pela sociedade. A redução da tarifa não deve ser confundida com os aportes do Tesouro Nacional e o financiamento do pool de bancos às distribuidoras, que visou mitigar um forte impacto tarifário de curto prazo ocasionado por seca extraordinária. O prolongamento da seca não foi apenas mais um detalhe, mas, sim, fator capital na elevação dos custos de produção. Pago de uma vez ou amenizado no tempo em razão dos empréstimos, o aumento dos custos de produção será repassado ao consumidor. Como se vê, ao contrário do que querem fazer crer, a MP 579 evitou um custo social ainda mais alto. Definitivamente, uma medida corajosa e acertada!
MAURICIO TOLMASQUIM, 55, é presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Fonte - Blog do Miro 14/08/2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Observador internacional confirma que avião da Malaysia Airlines foi metralhado

Internacional


Michal Bociurkiw, primeiro observador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) a chegar aos destroços do avião abatido na Ucrânia

Por Redação
Vermelho - de Londres
Michal Bociurkiw, o primeiro observador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) a chegar junto dos destroços do avião abatido na Ucrânia confirmou a informação de que a fuselagem do aparelho apresenta “marcas nos estilhaços que parecem ser de munições de metralhadoras, poderosas metralhadoras”.
Por outro lado, tal como admitiu anteriormente o piloto alemão Peter Haisenko através da observação de fotos de alta resolução de restos do cokpit, entretanto retiradas da internet, os destroços do aparelho não apresentam sinais de míssil, na opinião do representante da OCSE.
As informações de Bociurkiw, obtidas através da observação no local “de dois ou três pedaços da fuselagem”, coincidem com a interpretação do comandante alemão Peter Haisenko com base na imagem de alta resolução: o avião tem marcas que podem ser de munições de metralhadoras como as que equipam os SU 25, pelo que foi provavelmente abatido por caças da aviação ucraniana.
As imagens divulgadas durante o depoimento do observador da OSCE confirmam que as imagens que serviram de base à análise do piloto alemão são efetivamente do avião malaio.

Caças foram detectados nas imediações do avião acidentado pelo controlador aéreo espanhol “Carlos”, que trabalhava na torre de controlo do aeroporto de Kiev quando se deu a catástrofe, por testemunhas oculares momentos antes do desastre, e pelos radares russos, segundo provas apresentadas pelo Ministério da Defesa de Moscou.
As informações divulgadas por Michal Bociurkiw à emissora canadense CBC contribuem para afastar um pouco mais a tese do derrube através de um míssil, uma vez que os restos do aparelho não mostram indícios da ação de um engenho deste tipo, tal como interpretara o piloto alemão.
Michal Bociurkiv é o porta voz da missão da OSCE na Ucrânia, tem origem ucraniana e nacionalidade canadense. Esteve no local do acidente imediatamente a seguir à queda do aparelho e agora voltou a fazer parte do primeiro grupo de representantes da OSCE a visitar o local depois de a situação dos combates na região o permitir.
Fonte - Correio do Brasil  07/08/2014

A direita está certa ao imitar os EUA

Política

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena
Os reacionários brasileiros adoram os Estados Unidos. Costumam passar, inclusive, as férias em Miami – o que corrobora seu profundo mau gosto, já que o país é imenso e tem dezenas de outras cidades mais interessantes. Para a direita tupiniquim, os EUA são a Terra Prometida, onde jorra leite e mel. A economia deles é fantástica, a educação, a saúde, o cinema… Eles admiram até a junkie food, aquela comida péssima que fez os índices de obesidade irem à estratosfera por lá. Enfim, se dependesse dos reaças, o Brasil imitaria o Tio Sam em tudo. Tudo mesmo? Será?
Claro que não! Existem conquistas dos norte-americanos que a direita brasileira faz tudo para esconder de você. Quando se trata destes assuntos, eles preferem mirar o Irã, o Afeganistão ou qualquer nação islâmica radical onde as mulheres andam de burca e onde tudo é proibido em nome de Deus. A Terra Prometida dos reaças, na verdade, é um mix de Estados Unidos por fora e país fundamentalista por dentro. Uma miragem para enganar trouxa.
Imagine se a reaçada brasileira, que adora macaquear os EUA, iria querer que nós imitássemos, por exemplo, a lei de aborto norte-americana. A obscura direita nativa, que em toda eleição tenta criar celeuma em torno do aborto, prefere ocultar do povo que, na terra de George Bush e Barack Obama, pode-se interromper a gravidez legalmente em absolutamente TODOS os 50 Estados desde 1973. A interrupção pode ser feita até a 22ª semana de gestação e, em 17 Estados, o atendimento ao aborto é realizado pelo serviço público de saúde. Nos demais, em clínicas particulares.
O aborto, além de ser um direito e uma escolha da mulher, é uma questão de saúde pública. Centenas de mulheres morrem anualmente por causa de abortos mal-sucedidos no Brasil, porque, é claro, eles continuam a ocorrer mesmo proibidos por lei. E o número de abortos com a legalização, ao contrário do que a direita costuma dizer, vem caindo a cada ano nos EUA. Segundo um estudo divulgado em março deste ano, o total de abortos praticados nos EUA caiu para o mesmo patamar de antes da decisão da Suprema Corte, em 1973 (leia aqui).



Outra coisa que nós poderíamos imitar dos gringos: 23 Estados e o Distrito de Colúmbia, onde está situada a capital, Washington, já aprovaram leis descriminalizando o porte de pequenas quantidades de maconha; 22 Estados permitem o seu uso medicinal; e dois deles, Colorado e Washington, legalizaram a maconha inclusive para o uso recreativo.
Um dos argumentos patéticos da direita burra (ups, pleonasmo) contra a legalização da maconha –e contra até se discutir abertamente este tema– é que existem “assuntos mais importantes” para se tratar. Nada mais falso. A proibição da maconha sustenta o tráfico de drogas e aumenta a criminalidade. Quer assunto mais urgente do que reduzir a violência? Só para se ter uma ideia, em Denver, no Colorado, os crimes caíram em 10,6%  apenas cinco meses após a legalização da maconha no Estado.
A legalização da maconha nos EUA também está quebrando o narcotráfico no país vizinho, o México. Outro aspecto importantíssimo: com a legalização, as cadeias dos EUA, as mais populosas do mundo, não vão lotar de meninos negros levados em cana apenas porque fumavam um baseado, como ocorre hoje. O próprio presidente Barack Obama denunciou: “Garotos de classe média não são presos por fumar maconha. Garotos pobres são. E há mais garotos afro-americanos e latinos entre os pobres e com menos condições de se defender para evitar penas duras”. A criminalização da juventude pobre e negra por causa da maconha também ocorre no Brasil. Mas a direita não está nem aí.
Um terceiro item para imitarmos dos norte-americanos: o casamento gay. O governo federal, 21 Estados e o Distrito de Colúmbia reconheceram legalmente a validade dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Em junho deste ano, o presidente Barack Obama estendeu todos os benefícios federais do matrimônio tradicional aos casais gays. Isso inclui as leis de imigração: estrangeiros casados com gays norte-americanos passaram a ter o direito de permanecer no país, como acontece com os heterossexuais.
O mais interessante é que Obama nem sempre pensou assim. Seu pensamento sobre o casamento gay evoluiu a partir de 2012, quando declarou publicamente: “Em certo momento eu concluí que para mim é importante ir em frente e afirmar que casais do mesmo sexo devem ter o direito de se casar legalmente”. Em junho, durante uma recepção para gays e lésbicas na Casa Branca, Obama disse: “Se nós somos de fato criados iguais, então a maneira que amamos outra pessoa também deve ser igual”.
Portanto, faço aqui um reconhecimento: a direita está certa! Vamos copiar os Estados Unidos já. Eles são realmente um modelo para nós.
Fonte - Blog do Miro 07/08/2014

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Brasil e Japão assinam 9 acordos de cooperação internacional

Internacional

Acordos contemplam aporte de R$ 700 milhões do Japão para construção de oito cascos para navios de petróleo e projetos agrícolas

Portal Brasil
Nesta sexta-feira (1º), a presidenta da República, Dilma Rousseff, recebeu o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no Palácio do Planalto, em Brasília, para a cerimônia de assinatura de 9 acordos de cooperação internacional. Os dois países firmaram parceria para facilitar investimentos de pequenas e médias empresas que, somados, devem aportar R$ 700 milhões para construção de oito cascos de navios de petróleo e projetos agrícolas.
Em discurso de aproximadamente 10 minutos, a presidenta saudou Shinzo Abe, "um ilustre amigo", e a recíproca do primeiro-ministro japonês para "fortalecer a cooperação bilateral nos mais diversos campos." Dilma destacou os investimentos da indústria automotiva japonesa no mercado nacional e enalteceu a parceria para desenvolver a indústria naval. Segundo a presidenta, o acordo "dará novo impulso a cooperação bilateral nesse setor e consolida presença japonesa na exitosa experiência brasileira na reconstrução da nossa indústria naval."
"O acordo entre Petrobras, Agência Nexi e Mizou vai permitir construção de novas plataformas para petróleo em alto mar. Promissores investimentos entre Petrobras, para cooperação no estudo de exploração de hidratos de metano, fonte não convencional de gás natural."

Ciência Sem Fronteiras
Os acordos assinados hoje também incluem cooperação na área ambiental relacionadas aos desastres naturais e trocas de informações de ciências do mar, educação e saúde. Durante o discurso, Dilma declarou que os dois países decidiram pela ampliação do número de estudantes no Japão pelo Ciência sem Fronteiras e para a ampliação da oferta de estágios para os bolsistas.
Brasil e Japão também abordaram o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) na resolução de conflitos regionais, citando, textualmente, o conflito do Oriente Médio e do leste da Ásia. A visita oficial também pretende estreitar as relações entre o Brasil e o país asiático. Hoje, o Japão é o 2º maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o 6º no mundo.
O primeiro-ministro japonês deve seguir para São Paulo, onde irá se encontrar no sábado (2) com a comunidade nipô-brasileira e empresários locais.
Fonte - Portal Brasil  01/08/2014