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segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Globo teve R$ 5,9 bi de propaganda federal desde 2000

A Globo persegue a quem a sustenta. Presidenta Dilma, o que a senhora vai fazer? Continuar com esse estado de coisa ou modificar esse absurdo?
(Aposentado Invocado)


Globo teve R$ 5,9 bi de propaganda federal desde 2000
Fernando Rodrigues
Ainda assim, emissora líder é a que mais perdeu no bolo de verbas do governo
TVs nesse período tiveram R$ 10, 7 bilhões para veicular propaganda estatal
No último dia 14 de abril a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) atualizou o seu site com os dados gerais de gastos de publicidade estatal federal até o ano de 2012. Como de costume, os valores são apenas globais e por tipo de meio, omitindo quanto cada veículo ganha.
Mas num artigo de Roberto Bocorny Messias, secretário-executivo da Secom, pela primeira vez foram divulgados de maneira aberta, pelo próprio governo, os dados sobre cada uma das principais emissoras de TV do país. O texto foi publicado pelo site “Observatório da Imprensa” em 16 de abril de 2013.
O dado a ser destacado é a ainda fantástica prevalência das TVs abertas como meio preferencial para o governo fazer sua propaganda. E entre as TVs, a maior de todas é a Globo, apesar da queda em anos recentes.
Desde o ano 2000 (quando os dados passaram a ser compilados de maneira mais precisa), a TV Globo recebeu R$ 5,9 bilhões para veicular publicidade estatal federal –tanto da administração direta como indireta.
A imagem abaixo traz os dados sobre o que o governo federal gastou com TVs no ano passado e o acumulado desde o ano 2000:

Ao divulgar esses dados, a Secom afirma fazer “mídia técnica” e dar a publicidade de acordo com o tamanho de audiência de cada veículo. Nota-se que a preocupação principal foi usar o caso da TV Globo como exemplo. A fatia da emissora no bolo entre TVs caiu de 54,96% (em 2000) para 43,98% (em 2012) –muito por causa do avanço das TVs fechadas e da Record, como se pode observar no gráfico:

Embora com a Globo tenha acontecido uma acomodação compatível com o recuo da liderança dessa emissora na audiência das TVs abertas, não há como verificar se esse mesmo procedimento ocorre com todos os mais de 5.000 veículos cadastrados pelo governo federal para receberem verbas publicitárias.
As tabelas completas dos valores individuais investidos não são divulgadas. Não se conhece o montante exato enviado a cada um dos meios de comunicação por conta de propaganda estatal federal.
Ao divulgar os dados via “Observatório da Imprensa”, a Secom tampouco entra muito no mérito do uso de propaganda estatal de maneira tão disseminada. O silêncio é compreensível. Esse é um costume de todos os governos no Brasil, em todos os níveis, não importando o partido ao qual está filiado o chefe da administração.
O problema é que assim nunca é respondida a pergunta mais importante: por que um país como o Brasil precisou gastar R$ 1,797 bilhão em propaganda em 2012?
Há o argumento de que nesse bolo estão as empresas estatais que concorrem no mercado. Precisam anunciar para sobreviver. De fato, é uma ponderação a ser levada em conta. Mas levanta uma dúvida adicional: por que então os gastos dessas estatais não são divulgados em detalhes, para que se saiba em quais meios de comunicação estão investindo?
Aí a resposta do governo é conhecida. Trata-se de informação de caráter reservado. Os concorrentes privados das estatais poderiam tirar proveito se conhecessem os dados. Bom, essa é uma disputa que no futuro certamente será arbitrada na Justiça, pois está em conflito com a Lei de Acesso à Informação.
TVs abertas e outros meios
No caso da prevalência no Brasil das TV abertas na propaganda estatal federal, há mudanças no horizonte. Sem prejuízo desse meio de comunicação, é possível notar que tem ocorrido uma redistribuição na parte que sobra do bolo.
De 2000 a 2012, as TVs abertas continuaram soberanas. Aumentaram sua fatia nas verbas de propaganda estatal federal: tinham 54,4% e hoje pularam para 62,3%.
Os jornais impressos caíram de 21,1% para 8,2% desde o ano 2000 no bolo publicitário federal. Emissoras de rádio e revistas saíram da faixa dos 9% e recuaram para a dos 7%.
Já internet e mídia externa, que representavam quase nada no início da década passada, agora ficam, somadas, com mais de 12%. Eis o gráfico evoluti:

Fonte - do Blog Aposentado Invocado (Helio Borba) 22/04/2013

sábado, 9 de junho de 2012

Trem sobe a serra da Borborema em passeio raro e bucólico na Paraíba

Viagem de 11 horas levou a composição por apertados caminhos rochosos.
Trem será utilizado para levar centenas de pessoas ao som de muito forró.

Maurício MeloDo G1 PB
(Foto: Maurício Melo/G1)
Locomotiva é enfeitada para ser usada como trem
do forró
O G1 fez uma viagem inusitada de trem entre a capital da Paraíba, João Pessoa, e a capital do forró, Campina Grande. Durante onze horas foram percorridos cerca de 150 km de trilhos que quase já não recebem locomotivas. O objetivo é levar o trem até Campina Grande, onde ele será usado no programa Expresso Forrozeiro, uma atração que leva centenas de pessoas ao som de muito forró durante as festas juninas.
saiba mais
VEJA A GALERIA COM IMAGENS DA VIAGEM DE TREM
Receita de Tapioca Junina leva canjica e queijo coalho

Veja a programação completa do São João 2012 em Campina Grande

A saída foi da estação da Companhia de Trens Urbanos (CBTU) às 7h30 da quinta-feira (7). Em um passeio lento e bucólico, o trem serpenteou por usinas desativadas, antigas vilas e muita mata nativa do Litoral e Agreste paraibano até subir a Serra da Borborema. A linha margeia algumas cidades e passa por estações de trem abandonadas. Tudo do tempo em que o transporte de cargas era feito por via férrea.
Mesmo o transporte de passageiros também aconteceu, por muito tempo, nos carros do ferrovia. Ainda há quem lembre da época em que o trem levava e trazia passageiros. Como a dona de casa, Antônia Silva, que mora às margens da ferrovia, em uma vila no município de Santa Rita. “Antigamente passava muito trem. Agora só passa de vez em quando. Quando passava, era bom demais.”
(Foto: Maurício Melo/G1)
Sete vagões de passageiros foram levados serra acima, rumo a Campina Grande
Na verdade, participaram desta viagem apenas nove ferroviários, apesar dos sete vagões de transporte de passageiros, chamados simplesmente de carros, “vagão transporta carga e animal, carro transporta gente”, explicou o maquinista da CBTU Carlos Moabe, que fez as vezes de guia nesta viagem.
Os integrantes desta jornada são quatro maquinistas, cada locomotiva precisa de dois para ser pilotada, um manobrador, que engata e desengata vagões, um supervisor de vagões e três mecânicos ferroviários, que além de fazer consertos na composição, faz reparos na linha férrea, quando necessário.
(Foto: Maurício Melo/G1)

Maquinistas Paulo César e Carlos Moabe contaram
histórias de antigamente
O motivo deste passeio é que esta composição, locomotiva mais carros, precisa ser levada para Campina Grande para ser enfeitado e usado durante o mês junino como o Expresso Forrozeiro. Já o motivo do tempo de viagem é a falta de uso da ferrovia que liga as cidades.
Apesar dos pouco mais de 30 anos de uso, a locomotiva, que tem motor Bombardier de 1.025 cavalos de potência, pode chegar a 90km/h sem problemas. Mas o pouco uso da linha férrea pode esconder armadilhas como trilhos cobertos por areia, por pedras, ou até roubo de trilhos. Por conta disso, a viagem tem a velocidade média de 20km/h e passa a ser um misto de passeio e verificação do trecho, que é como os ferroviários chamam a linha entre duas estações.
Atualmente são poucos os que usam esse trecho para transportar cargas e não há mais transporte de passageiros. “Há 30 anos, as pessoas viajavam de trem o tempo todo. Também havia muito álcool, cana de açucar e minério sendo transportados pelos trens”, contou o maquinista da Transnordestina Paulo César.
(Foto: Maurício Melo/G1)

O conserto de pedaços da linha férrea atrasaram a
viagem, que levou 11 horas para terminar
Hoje, o uso das linhas férreas da Paraíba está dividido por duas empresas. O transporte de passageiros, que só acontece na Grande João Pessoa, está sob responsabilidade da CBTU. Já o de cargas, da Transnordestina. Então, numa operação como esta, os trens da CBTU precisam trafegar em trilhos da Transnordestina. E essa ação conjunta acaba sendo como uma reunião de velhos amigos, já que os ferroviários da Paraíba são poucos e conhecidos.
O supervisor de movimento da CBTU, Odilon Tenório, que ficou na estação de João Pessoa, já vai completar 30 anos na empresa e fala com saudosismo do tempo em que haviam muitas outras viagens. “Houve um tempo em que era tanto trem aqui, que dava um trabalhão para organizar as composições na estação. Hoje, o tempo de espera entre um trem e outro é de 59 minutos.”


Vida nos trilhos
E a saudade não é só de Odilon, os maquinistas e mecânicos que embarcaram, passaram boa parte do percurso contando histórias de antigamente e, como que revivendo os velhos tempos, se enchiam de orgulho.
E um ponto curioso a se registrar é que, além das quatro ou cinco paradas para arrumar os trilhos à frente ou fechar alguma válvula que teimava em abrir e deixar escapar a pressão do motor, duas rápidas pausas na viagem foram para cumprimentar parentes de Silvio Cesar, supervidor de maquinista, e um colega maquinista que está de licença médica. Ambos moram em casas às margens dos trilhos.
Por volta do meio dia, foi feita uma parada para todos almoçarem em Itabaiana, cidade onde o maquinista Paulo César mora e que já foi um importante entroncamento de trilhos que levavam para o Sertão da Paraíba, para o Rio Grande do Norte e para Pernambuco.
Paisagens bucólicas formam o cenário da viagem (Foto: Maurício Melo/G1) 

Vista privilegiada
O trem passa por lugares que as estradas não cortam. Logo, há muitas paisagens campestres e construções inusitadas como ruínas de estações cercadas por uma mata densa sem estradas próximas e uma ponte inglesa de mais de 110 anos em perfeito estado por onde a composição cruza o Rio Paraíba.
A viagem passa pelos municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cruz de Espirito Santo, São Miguel de Taipu, Itabaiana, Mogeiro, Ingá e Campina Grande. A parada do almoço levou uma hora e depois o trem seguiu para Campina Grande, terra do Maior São João do Mundo.
No trajeto há matas fechadas, plantações, garças e gado dividindo o pasto, revoada de carcarás. O trem passa por estreitos de pedra, pontes altas e baixas sobre rios e estradas. A saída aconteceu depois do nascer do sol, mas o pôr-do-sol marcou o fim da jornada, na Estação Nova, em Campina Grande, às 18h30.
Pôr-do-sol marcou a chegada a Campina Grande (Foto: Maurício Melo/G1) 
Trem do Forró
Expresso Forrozeiro acontece nos dias 8, 9, 10, 16, 17, 22, 23, 24 e 30 de junho. Passeio que parte do Museu do Algodão, em Campina Grande, e vai até o distrito de Galante. A viagem dura cerca de um hora e meia e em cada um dos sete carros há um trio de forró pé-de-serra tocando para animar os forrozeiros ao som da sanfona, do triângulo e da zambumba.
Fonte -   G1 Paraíba 09/06/2012